Andrés Denegri (Argentina) | Uyuni, 2005, 8’08”
Cao Guimarães (Brasil) | Concerto para clorofila, 2004, 7’23”
Ayrson Heráclito (Brasil) | Funfun, 2012, 4’08”
Enrique Ramírez (Chile) | Pacifico, 2014, 2’42”

Desde sua criação, em 1983, o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil vem estabelecendo profícuas parcerias e diálogos com instituições de inúmeros países. Se, no primeiro momento, nossos parceiros naturais vinham de países latino-americanos – então também realizando seus primeiros festivais de vídeo –, atualmente eles estão no mundo todo.

Reflexo importante desse momento inicial, a presença de obras e artistas latino-americanos é uma das marcas distintivas do Acervo Histórico Videobrasil. Além disso, atualmente esse acervo é um dos principais guardiães da memória videográfica na América Latina, uma vez que– vítimas dos anos – outras instituições pioneiras desapareceram, levando consigo suas coleções e acervos.

Com obras de Andrés Denegri, Ayrson Heráclito, Cao Guimarães e Enrique Ramírez, o recorte do Acervo Histórico apresentado na atual edição do FUSO busca, em um só gesto, lançar luz sobre essa trajetória e indicar os percursos que o Festival projeta para seu futuro. Não é, contudo, só a proximidade geográfica que estabelece uma identidade entre estas obras. Existe em todas, de maneiras distintas, uma fala sobre a ausência, sobre a perda e sobre a finitude da vida – “o solene sentimento de morte, que floresce no caule da existência mais gloriosa” de que nos fala Carlos Drummond de Andrade.

Contra um fundo político, religioso ou pessoal, essas vozes aproximam-se de nós como animais domésticos, em sua devoção familiar e quotidiana. Aqui, o mar, a morte, o jardim e a cidade estrangeira surgem como instâncias de um lamento por um afeto ou um lugar perdido. Frente a ele, restamos nós, solitárias testemunhas de um tempo que se vai e deixa, sem testamento, sua herança.

 

Solange Farkas, SP 2017
Diretora e Curadora
Associação Cultural Videobrasil

TRAVESSA DA ERMIDA

Terça-feira, 22/8

23 a 27 de AgostoQuarta a Sexta-feira das 11:00 às 17:00Sábados e Domingos das 14:00 às 18:00

22h00 | Solange Farkas

Testemunhas de um tempo

Andrés Denegri (Argentina) | Uyuni, 2005, 8’08”
Cao Guimarães (Brasil) | Concerto para clorofila, 2004, 7’23”
Ayrson Heráclito (Brasil) | Funfun, 2012, 4’08”
Enrique Ramírez (Chile) | Pacifico, 2014, 2’42”

SOLANGE FARKAS
(Brasil)

Solange Farkas é curadora e directora da Associação Cultural Videobrasil. Criou o Festival Internacional de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil, evento de que é também curadora-geral e que se tornou referência para a produção artística do Sul geopolítico do mundo (África, América Latina, Leste Europeu, Oriente Médio, parte da Ásia e Oceania), além de ter trazido nomes de peso da arte internacional, como Akram Zaatari, Bill Viola, Gary Hill, Peter Greenaway, Marina Abramovic, Olafur Eliasson e Walid Raad.  Ao lado das mostras promovidas durante as edições do Festival, é  igualmente responsável por Exposições como as de Sophie Calle, Cuide de Você (2009), e Joseph Beuys – A Revolução Somos Nós (2010-11). Em 2012, Farkas assinou a curadoria da exposição de Isaac Julien: Geopoéticas, com um panorama de três décadas de produção do britânico, exibida no SESC Pompeia, em São Paulo, e no SescTV.