Carlos Mayolo e Luis Ospina (Colômbia) | Agarrando Pueblo, 1978, 28’38’’
Monica Restrepo (Colômbia) | Tacones (in the making), 2014, 30’45’’

22h00 – Programa PABLO LEÓN DE LA BARRA

MEMÓRIAS do SUBSALSADESENVOLVIMENTO

Duração: 58’23’’

Memórias do SubSalsaDesenvolvimento propõe um diálogo entre os filmes de duas distintas gerações de autores de Cáli, Colômbia: ‘Agarrando Pueblo’ (1978) de Luis Ospina (1949) e Carlos Mayolo (1945) com ‘Tacones (in the making)’ (2013/14) de Monica Restrepo (1982). Cáli, por ser a terceira cidade da Colômbia, de certa forma encontra-se na periferia da periferia, o que lhe permitiu converter-se no seu próprio centro e gerar uma cultura muito própria e particular. Cáli transformou-se também numa cidade mítica construída pelas suas múltiplas identidades: a Caliwood do cinema gótico tropical e de autor independente; a Cáli jovem, rebelde e suicida de Andrés Caicedo e ¡Que viva la musica!; a Cáli capital mundial da música Salsa; assim com a Narcocidade do Cartel de Cáli. Mas, acima de tudo Cáli, como muitas outras cidades da América Latina, é um lugar onde a modernidade foi desigual, incompleta e nunca acabou por chegar.

Separados por 35 anos de distância, ambos os filmes apresentam duas fases críticas da modernidade Calena. Por um lado, ‘Agarrando Pueblo’ inaugura na Colômbia o género da ficção documental e ao fazê-lo exerce uma crítica à chamada ‘pornomiséria’, termo inventado por Ospina e Mayolo para denunciar a exploração e estetização através do cinema e do documentário da pobreza do subdesenvolvimento. Por outro lado, em ‘Tacones (in the making)’ Restrepo e sua ‘parche’ (gíria colombiana para grupo de amigos) enquanto bailam leem diálogos e testemunhos da primeira película sobre Salsa que foi retirada de circulação e foi um fracasso da crítica e público. O reconstruir do filme permite desconstruir o passado mítico de Cáli para assim poder enfrentar-se o seu presente desolador.

Pablo León de la Barra, 2017

Jardim do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado

Quinta-feira, 24/8

22h00 | Programa Pablo Leon de la Barra

Memorias do SubSalsaDesenvolvimento

Carlos Mayolo e Luis Ospina (Colômbia) | Agarrando Pueblo, 1978, 28’38’’
Monica Restrepo (Colômbia) | Tacones (in the making), 2014, 30’45’’

PABLO LEON DE LA BARRA
(México)

Pablo Léon de la Barra (México DF, 1972) é o curador para a América Latina do Museu Salomon R. Guggenheim de Nova Iorque e curador adjunto do MASP Museu de Arte de São Paulo, em São Paulo, Brasil. Foi director da Casa França Brasil, Rio de Janeiro, durante o período de 2015-2016. Organizou a exposição ‘Bajo el Mismo Sol: Arte de Latinoamerica Hoy’ que inaugurou em 2014 no Museu Guggenheim de Nova Iorque, no Museo Jumex na Cidade do México em 2015 e na South London Gallery em Londres em 2016. Léon de la Barra foi curador de inúmeras exposições em diversas cidades do mundo, incluíndo ‘Incidentes de Viaje Espejo en Yucatan y Otros Lugares’ (2011) no Museo Tamayo, Cidado do México; ‘Dominique Gonzalez-Foerster / Temporama’ (2015) no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ‘UnitedStates of LatinAmerica’ (2015), co-curada com Jens Hoffmann no MOCAD-Museu de Arte Contemporânea de Detroit e ‘Monumentos, Post-Monumentos y Nueva Escultura Publica’ (2017) no MAZ, Zapopan Art Museum, Guadalajara, Jalisco. É co-fundador da bienal SITE Santa Fé, no Novo México em 2016, assessor curatorial da Bienal de Sidney 2016, assim como da Segunda Bienal Tropical em San Juan, Porto Rico 2016, da qual também é fundador. Em novembro de 2016 foi seleccionado pela revista Art Review como umas das 100 figuras mais influentes do mundo da arte. León de la Barra tem um Doutoramento da Architectural Association de Londres.