Programa Emília Tavares | A classe dos povos extintos

Pedro Barateiro (Portugal) | Identidade em construção, 2006, 1’45’’
Maria Ruído (Espanha) | Lo que no puede ser visto debe ser mostrado, 2010, 12’
Vasco Araújo (Portugal) | Parque temático, 2016, 8’44’’
Ângela Ferreira (Moçambique/Portugal) | Joal la Portugaise, 2004, 6’15’’
Pilar Albarracin (Espanha) | Musical Dancing Spanish Dolls, 2001, 3’ 25’’
Valeriano López (Espanha) | Me duele el chocho, 2002, 3’34’’
Mauro Cerqueira (Portugal) | Leonel, 2015, 3’06’’
Lois Patiño (Espanha) | Noite sem distância, 2015, 23’

23h15 | Programa EMÍLIA TAVARES

A CLASSE DOS POVOS EXTINTOS

Duração: 62’

Em 1869, Antero de Quental analisava Portugal como pertencendo a uma classe de povos extintos, referindo que o dogma da nacionalidade fora forjado contra o federalismo e as identidades diversas, defendendo por isso um iberismo espiritual como garantia de uma vivência verdadeiramente democrática e popular.

A utopia da geração dos Vencidos da Vida, deu lugar ao dealbar de um novo século em que Portugal expulsou o melhor da sua cultura e arte, para impor um obscurantismo de repercussões muito longas. Por seu lado, o recente colapso de uma Europa plural e solidária, redireciona também a geo-estratégia dos sonhos coletivos, e obriga-nos a resgatar da história algumas das suas mais ambiciosas utopias.

Com base neste horizonte histórico, foi elaborado um programa para estabelecer o encontro entre artistas portugueses e espanhóis que, através da sua obra, têm observado e trabalhado as respetivas Histórias, no seu papel de edificação de discursos de poder e de identidade nacional.

As obras apresentadas questionam alguns dos fundamentos políticos dessa identidade, bem como a sua legitimação histórica, através de mecanismos dogmáticos. Elaboram também observações contundentes sobre a génese cultural e identitária, a pesada herança dos impérios, os estereótipos do sul ou as dissensões e traumas de cada um dos países perante a sua memória coletiva; constituindo dessa forma obras que interpelam não só o devir histórico, como o presente, nos seus processos de normalização e massificação. Assim reunidas, estas obras evocam uma comunhão de interesses e de inconformidade, unem, por via da arte, a mesma procura de uma sociedade mais justa, crítica e informada. Desfazem, por isso, as diferenças politicamente construídas, e podem estabelecer novos diálogos.

Emília Tavares, 2017

Jardim do Museu Nacional de Arte Antiga

Sexta-feira, 25/8

23H15 | Programa Emília Tavares

A classe dos povos extintos

Pedro Barateiro (Portugal) | Identidade em construção, 2006, 1’45’’
Maria Ruído (Espanha) | Lo que no puede ser visto debe ser mostrado, 2010, 12’
Vasco Araújo (Portugal) | Parque temático, 2016, 8’44’’
Ângela Ferreira (Moçambique/Portugal) | Joal la Portugaise, 2004, 6’15’’
Pilar Albarracin (Espanha) | Musical Dancing Spanish Dolls, 2001, 3’ 25’’
Valeriano López (Espanha) | Me duele el chocho, 2002, 3’34’’
Mauro Cerqueira (Portugal) | Leonel, 2015, 3’06’’
Lois Patiño (Espanha) | Noite sem distância, 2015, 23’

EMÍLIA TAVARES
(Portugal)

Emília Tavares nasceu em 1964, em Lisboa, Portugal, onde vive e trabalha. Conservadora e curadora para a área da Fotografia e Novos Media, no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, Lisboa. Mestre em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Investigadora de História da Fotografia, tendo publicado a obra João Martins – Imagens de um tempo descritivo desolador, Mimesis, Porto, 2001. Tem diversos ensaios e obras publicadas sobre história da fotografia portuguesa. Desenvolve uma actividade regular na área da crítica, bem como na realização de seminários e conferências, em diversas instituições. Investigadora portuguesa convidada do projecto FOTOFO – The History of 20th Century European Photography, com o apoio da FCG. Comissariou diversas exposições na área da arte contemporânea e da fotografia e novos media.