OPEN CALL
// Olha aqui, 2017, 5’30’’

“Olha aqui, também filmo!”, disse-me ele.
Começa a nevar, Zé sai à rua com a sua câmara video8.
Uma experiência fílmica que prolonga a existência de um personagem, a relação entre quem filma e quem é filmado. Ou talvez um acto de apropriação (artística?), que impõe uma montagem. De quem é a história? Toca o telefone. Vemos uma laranjeira, o quintal. Tudo branco, e um corpo em movimento. Imagens privadas deslocadas para o espaço público. Será que um vídeo caseiro exibido num museu passa a ser visto como arte? Pergunto-me. Continua a nevar.

Imagem e som: José Letras Miranda
Edição e pós-produção: Carlos Lima

CARLOS LIMA (PT)
Carlos Lima (1984, Alentejo). Estudou Sociologia (ISCTE-IUL) e realização cinematográfica (IBAV-ECDR, Rio de Janeiro). Estuda Antropologia Visual na FCSH-UNL. Realizou curtas-metragens, vídeos institucionais e documentários: Coisas de Gaiatos (2011), Zé Ninguém (2012), Aldeia Branca (2014) e Bonecos da Orada (2015).
José Letras Miranda (1925, Alentejo). Barbeiro, artesão, fadista e poeta. Publicou, em 2013, numa edição de autor, o seu último livro de poesia – Ser ninguém.