Programa EMÍLIA TAVARESA CLASSE DOS POVOS EXTINTOS

ÂNGELA FERREIRA (PT)
// Joal la Portugaise, 2004, 6’15’’

“De tudo aquilo que me contaram, o que mais chamou a minha atenção foi o que me disseram sobre a origem do nome de Joal. Existem várias versões. Para alguns, este nome vem do serere “Joong”, que significa “pequena altitude”: teria permitido designar a aldeia em que uma parte se elevava relativamente ao resto da paisagem. Segundo uma outra etimologia, a que me interessa mais, Joal provinha do nome de Joana Albiz, mulher ou irmã de um navegador português. Claro que nada disto pode ser provado. O interessante, para mim, é que esta história se transmitiu oralmente através dos séculos e que este relato inacabado deu a pessoas como Senghor a possibilidade de lhe associar elementos novos. Pelo meu lado, tomei a liberdade de desenvolver um pouco esta história: numa série de performances, tornei-me Joana Albiz, tentei dar corpo a essa personagem, imaginar as razões da sua vinda para Joal. Talvez ela nunca tenha existido na realidade, mas interrogarmo-nos sobre a razão da sua vinda é simbólico; é perguntar o porquê da vinda do colonialismo para África.”

Ângela Ferreira | Portugal

Nasceu em 1958 em Maputo, Moçambique. Actualmente, vive e trabalha em Lisboa.

Estudou escultura (1983) na Cape Town University, África do Sul. Desde 2003 é professora na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde obteve seu título de Doutora em 2016.

O trabalho de Ângela Ferreira discute o impacto contínuo do colonialismo e do pós-colonialismo na sociedade contemporânea, uma investigação conduzida por pesquisas aprofundadas e a transformação de idéias em formas concisas e ressonantes. Em 2007, foi convidada a representar Portugal na Bienal de Veneza, Itália.  Também participou na Bienal de Istambul (1999), Turquia; Bienal de São Paulo (2008), Brasil; e Bienal de Bucareste (2010), Roménia

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EMÍLIA TAVARES ProgramTHE CLASS OF THE EXTINCT PEOPLES

ÂNGELA FERREIRA (PT)
// Joal la Portugaise, 2004, 6’15’’

“Of what they told me, what caught my attention most was what they said about the origin of Joal’s name. There are several versions. For some, this name comes from the Serere language “Joong”, which means “small altitude”: it would have allowed the designation of the village in which a part was elevated in relation to the rest of the landscape. According to another etymology, the one that interests me the most, Joal originates in the name of Joana Albiz, wife or sister of a Portuguese navigator. Of course none of this can be proved. What is interesting to me is that this story was transmitted orally through the centuries and that this unfinished account gave people like Senghor the possibility of joining new elements to the story. For my part, I took the liberty of developing this story further: in a series of performances, I became Joana Albiz, I tried to give body to this character, to imagine the reasons of her coming to Joal. Perhaps she never really existed, but for us to question as for ‘the why’ of this coming, is symbolic; it means to question ‘the why’ of the coming of colonialism to Africa.”

Ângela Ferreira | Portugal

Born in 1958 in Maputo, Mozambique, Ângela Ferreira grew up in South Africa and obtained her MFA from the Michaelis School of Fine Art, University of Cape Town. She lives and works in Lisbon, teaching Fine Art at Lisbon University, where she obtained her doctorate in 2016. Ferreira’s work is concerned with the ongoing impact of colonialism and post-colonialism on contemporary society, an investigation that is conducted through in-depth research and the distillation of ideas into concise and resonant forms. She represented Portugal at the 52nd Venice Biennale in 2007, continuing her investigations into the ways in which European modernism adapted or failed to adapt to the realities of the African continent by tracing the history of Jean Prouvé’s “Maison Tropicale”.